terça-feira, 24 de setembro de 2013

Férias

Em agosto ganhei três semanas de férias, e claro que não ia ficar em casa esperando o tempo passar, né? 

Durante o mês de julho pesquisei muito, me programei, fiz cálculos e mais cálculos (sabe como é, salário de au pair é na base da ponta do lápis) e parti! 

Passei 20 dias pegando trens e mais trens, caminhando uma média de 6h por dia, subindo por volta de 500 degraus por dia, comendo muito McDonald's de 1 euros, bebendo água de fonte, vendo muitas coisas bacanas e conhecendo muita gente interessante.  

Meu roteiro? Fui para Itália, Espanha e Portugal. E me apaixonei por estes países latinos, que me deram tanta nostalgia do Brasil. Na Itália já estava até arranhando um portunhol mais pro italiano (portuliano?), cheguei até a dar orientações a um casal de velhinhos italianos em Roma (que, aliás, elogiaram meus dons linguísticos). 

Visitei Veneza, Verona, Bolonha, Florença, Pisa, Roma, Vaticano, Pompéia, Barcelona, Madrid, Lisboa e Porto. 

Me apaixonei pela Itália, pela língua e nenhum pouco pelos italianos (lá é moda os homens fazerem a sobrancelha, depilarem o corpo inteiro... Confesso que chega a ser estranho!). 

Amei a comida espanhola (comi paella todo dia, descobri que sou fã de frutos do mar) e simplesmente me encantei por Portugal. Ri muito também! Afinal a fama dos portugueses é bem verdadeira, ouvi muito português me mandando “subir pra cima”, “sair para fora”, entre outros... Mas Portugal é realmente maravilhoso, tem uma singularidade, uma personalidade, que vale a pena conferir!

Adorei todas as cidades que conheci. Minha preferida foi Veneza, pois é muito diferente das outras, mas moraria fácil em Verona ou Florença! Ah, a Itália...!

A viagem foi maravilhosa, apesar de alguns probleminhas, afinal nada é perfeito... 

Na Itália acabei ficando com diarreia (o que eu esperava, né? Bebendo água de fonte de rua e comendo McDonald’s todo dia, só podia dar nisso mesmo! Aprendi a lição e resolvi o problema rapidinho). Em Roma, tranquei meu cadeado do armário com as chaves (do cadeado e do quarto) dentro, e o quarto trancado. Felizmente, o wifi estava pegando naquele dia! Mandei mensagem para o meu salvador (namorado), que ligou da Bélgica para o hostel na Itália, e o recepcionista veio me salvar! Um pouquinho de desespero mas no fim deu certo, exceto pelo cadeado que foi decapitado! (Para minha defesa, eu estava muito cansada naquele dia e com fome, fechei sem pensar).



Na Espanha peguei o trem noturno, mas nada de cama. Fui na poltrona dura mesmo, não reclinável e acabei não descansando. No dia seguinte, meu estado físico ficou meio comprometido, mas pelo menos no outro trem noturno consegui uma cama e adorei viajar dormindo, no balancinho do trem! 

Peguei um verão maravilhoso, um calor de rachar, mas de rachar mesmo, fiquei com insolação e tive que comprar um chapéu! E segui a viagem com estilo. 

Enfim foi uma viagem incrível. Deixo aqui algumas fotos, vídeos ponho aos poucos. Espero que gostem!

Veneza

Verona

Bolonha

Florença

Pisa

Roma

Pompéia

Vaticano

Barcelona


Madrid

Trem

Lisboa

Porto

 

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Passagens, por favor!


Aqui na Bélgica, na hora de pegar o transporte público, você vai descobrir que em muitas estações não existe catraca. Isso mesmo, você pode entrar livremente, sem pagar! Grátis! Na faixa!
Mas não é porque a entrada é fácil que você não precisa pagar. Tome muito cuidado, você pode se meter numa enrascada! E será que vale mesmo economizar dois euros e arranjar um problemão depois?


Nos trens é possível entrar em qualquer um sem pagar. Mas dentro do trem existe o cobrador (controleur). É a pessoa responsável por verificar as passagens. Se um controlador pedir sua passagem, e você não tiver, você terá que comprar uma a bordo e poderá receber uma multa*.

*(a multa pode ser reconsiderada se a estação na qual você embarcou não era possível comprar passagem, como por exemplo as estações que estão em reforma. Fora estas, você receberá uma multa). 

É curioso observar que em geral, entre as estações de trem dentro de Bruxelas (por exemplo, entre as estações Bruxelas Midi,  Bruxelas Norte, Bruxelas Central, Schuman...) o cobrador não passa, então neste caso você consegue viajar de graça, mas só dentro da cidade.


Agora o transporte público urbano já é um pouco diferente. Não existe cobrador. O que acontece é que as pessoas são fiscalizadas nas estações, no susto.  

Você está viajando tranquilamente de metro, desce na sua estação, sobe as escadas e... Ops! Dá de cara com uma barreira de controladores e policiais. Não tem como você saber que eles estão lá, te esperando... Você é pego de surpresa, e se fizer meia volta ou sair correndo, é claro que eles vão sacar que você não pagou. Ou seja, não tem como escapar. 

Você será obrigado a apresentar seu bilhete, se estiver ok eles te deixam passar; se não, você terá que pagar uma multa de 80 euros. 80! (Não era melhor ter pagado os dois euros?). E eles ainda pedem seus documentos, ou seja, se você estiver ilegal por aqui, pode ser deportado e ir direto para a prisão no seu país. 

Nos ônibus, os controladores entram enquanto o ônibus está parado no ponto, e se você tenta descer, têm mais controladores e policiais do lado de fora.

Já fui fiscalizada várias vezes, em estações diferentes, em horários diferentes, e até dentro do ônibus noturno. Já vi gente pagando multa ou sendo presa. A coisa é séria!

Então tome cuidado. Pague os dois euros. Afinal o transporte é de qualidade, é abrangente, limpo e pontual. Seus dois euros estão sendo bem utilizados. Aqui não é como no Brasil, aqui seu dinheiro é bem gasto! Seja honesto.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eita, isso é que é sorte!

A verdade é que dei muita sorte com a segunda família!

Comparando a minha primeira família  com a segunda, diria que passei da água de esgoto para o vinho. Pois é, isso é que é sorte (e uma boa ajuda do anjinho da guarda!).

A família aqui é um amor, é família mesmo. Me acolheram desde o início. Quando comecei, me deram uma semana para eu me habituar (ou seja, observar). Sempre que faço algo de errado, ao invés de gritarem, eles me falam calmamente ou fazem piada (e a ficha logo cai, não é não?). Acolheram meus pais, quando eles vieram me visitar. Compraram um guia da Europa para o meu mochilão (eu não pedi não, foi ato voluntário mesmo), emprestam o note toda vez que o meu resolve pifar...

Além de serem excelentes pessoas, ainda dei sorte no quesito trabalho. Aqui trabalho 4h por dia, como manda a lei (ok ok, às vezes passa um pouco, fora os baby-sittings...). Além disso, não sou obrigada a viajar com eles, o que significa tempo livre! Eles já saíram de férias várias vezes, resultado, ganhei férias no natal, páscoa e verão. Quer coisa melhor? Pois continua. A maioria das au pairs têm que ficar com as kids durante o verão full-time, pois não é que meus hosts colocaram os filhos em acampamentos que duram a mesma quantidade de horas da escola! 
 
Claro que morar no emprego nunca é fácil. Afinal você sente que continua trabalhando, deve sempre acordar de bom humor, deixar tudo limpo e fazer ainda menos barulho do que está acostumado. Além disso, vamos ser honestos né? Também faço algumas coisas que uma au pair não deveria fazer: aspiro o carro, fico na casa quando precisam, levo o carro na oficina, entretenho visitas, e por aí vai... Mas a gente acaba topando (afinal de contas, eles são bacanas!).

Dei ou não dei sorte?!

sábado, 27 de julho de 2013

Traumas (ou desastres por falta de atenção): II

Opa, tinha me esquecido de contar o meu segundo trauma. Vish, foi tenso, depois desse, perder a chave no metro (mas recuperei, graças!), dirigir na neve e aprender a mexer no motor de carro foi tranquilo! Vamos lá...

Logo na minha segunda semana (coincidência demais) aqui na família nova (novembro). A menina (de 2 anos) ficou doente. E daí já viu né, sobra para a au pair. Passei a semana inteira dentro de casa com a kid. Das 7h às 18h (aguentei mais e pior em Saint Tropez). Claro que na sexta eu já estava super cansada, o que me levou a falta de atenção...

Naquela sexta, teria uma festa na escola do menino, e cada aluno tinha que levar um petisco. Eu, na tentativa de ser uma au pair prestativa, logo que soube da festinha me propus a fazer pão de queijo. Comprei massa pronta no mercadinho brasileiro e fiz.

Pois bem, naquela sexta era para a menina ir para a creche, pois ela já estava melhor, mas antes a host resolveu levá-la no médico. O querido do doutor mandou ela repousar mais um dia "só para ter certeza de que ela estava bem". Eu, que estava contente da vida que ia poder sair um pouco, adivinha, tive que ficar mais um dia em casa. Além disso, a menina resolveu que não queria dormir depois do almoço, por nada! Fiz de tudo, e nada. Ou seja, nem a minha folguinha de uma hora tive. 

Às 16h fui buscar o menino. Eu já estava cansada mas ainda tinha que preparar pão de queijo.

Nesta hora, não lembro bem o que se passou, mas as kids começaram a brigar e chorar e eu fui separar, e distraí-las tentando fazer desenhos. A menina me pediu água, quando entrei na cozinha, meu coração parou!

Do forno, saia uma fumaça preta. O teto estava começando a ficar nublado. Eu desliguei o forno, corri para a sala, enfiei as kids na frente da tv e voltei para a cozinha. Abri o forno e descobri que eu não tinha tirado as luvas térmicas (de pegar assadeira) de dentro do forno. Oi? Pois é gente, minha host usa o forno de armário e guarda as assadeiras, e claro, as luvas também! Na hora de ligar o forno eu tirei as assadeiras, mas não tinha visto as luvas pois estavam no fundo. 

Vocês não imaginam o estado das luvas! Uma se desfez quase inteira, como papel, simplesmente deixou de existir. A outra ficou com umas manchas bem pretas (mas inteira). Eu enfiei as duas embaixo da água, abri todas as janelas da casa (mesmo estando frio), liguei o exaustor, peguei um pano de prato e comecei a abanar a cozinha, desesperada. Bem naquele dia, meus hosts iam chegar mais cedo por causa da festa. 

Liguei para a minha amiga (au pair também) desesperada pedindo abrigo naquela noite. Eu queria me enterrar, sumir dali!

Fiquei abanando a cozinha por quase meia hora. Parei um pouquinho para dar uma olhada nas kids, e vi o carro do host estacionando. Na hora fechei todas as janelas, corri pra cozinha e meti as luvas no lixo. Meu coração a mil pensando no que eu diria para o host.

Ele entrou, subiu as escadas e... nada. Ele não mencionou uma palavrinha sobre cheiro de fumaça. Fiquei surpresa, mas ele fuma, então talvez ele nem tivesse percebido mesmo. Ele arrumou as kids e foi para a escola. 5 min. depois, novamente tensão. A host chegou, ela sim diria algo. E... nada de novo! Fiquei espantada e para lá de aliviada. 

Contei que tinha tido um pequeno acidente, dei os pães de queijo (não, eles não estavam com gosto de fumaça) e falei que dormiria na casa de uma amiga. Ufa! Foi bom sumir dali naquele fim de semana. Mas depois tive que comprar uma luva nova e fiquei "sob observação". Agora não saio de casa antes de conferir o forno e o fogão.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Se apaixonando no exterior...

Não sei porque temos essa ideia de que se apaixonar no exterior é romântico. Sei que muitas mulheres quando viajam para o exterior tem esse sonho secreto de se apaixonar. Acho que é a influência de filmes e novelas... Mas a verdade é que, por mais romântico que possa parecer, é, e sempre será, triste. 

Quem já viu o filme "O Amor Não Tira Férias"? (Holiday). A típica comédia romântica bobinha que encanta as mulheres. Resumindo, duas mulheres, sim, como se não bastasse uma historinha de amor, enfiaram duas! Duas mulheres trocam de casas, mudam de país para umas simples férias de Natal, e se apaixonam. Claro que no filme tudo termina bem, numa linda noite de festa de ano novo. Mas o que acontece depois??? Não espere encontrar a resposta no filme. 

O que acontece depois, você quer saber? Vou contar...

Primeiro você decide fazer uma viagem ao exterior e está simplesmente se divertindo, conhecendo um monte de gente nova. Daí você conhece alguém interessante que quer sair com você. Vocês saem e se divertem e decidem continuar se vendo,  "não é nada sério" você vai dizer, "estou só me divertindo". Só que o tempo passa, e a companhia um do outro agrada, e vocês vão se conhecendo melhor, se gostando, se amando.... E bah! Chega a hora de ir embora, voltar para a realidade. Se o amor entre vocês for grande, duas coisas podem acontecer:

1. (a cena mais romântica desejada por muitas). Você decide mudar de país e morar com ele para sempre, casar e ter filhos.

2. Você gosta demais do seu país, não pode deixá-lo e decide voltar (se tiver sorte ele pode ir com você). 

Não importa qual das duas opções você vai escolher. A verdade é que você nunca se sentirá completo. Se você muda de país, acredite, seu país vai fazer falta. E nem me refiro à família e amigos que estes você pode visitar ou falar por skype. Não, me refiro a sua cultura, sua identidade, sua percepção de pertencer a um lugar. Acredite, não ter com quem comentar sobre algo da sua infância ou de uma novela, não ter com quem fazer piada sobre algo que só nós brasileiros entenderíamos, não poder...ah, são tantas coisas que será impossível listar tudo! Acredite, sua cultura é o que mais te fará falta no exterior. 

E se você decide voltar, e deixar esse grande amor como uma bela lembrança, você sempre vai ficar se perguntando "e se eu tivesse ficado", você vai sempre sentir falta... Você terá sua identidade, sua família, amigos, mas não o seu amor, terá que conhecer outro...

A verdade é que, não importa o que você vai escolher, você só poderá ter 50%. E isso é triste demais. Então, se você não está preparado para fazer uma escolha dessa magnitude, nem tente conhecer alguém no exterior. Se divirta, seja feliz e volte para casa!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rotina de uma au pair

Quando eu estava no Brasil, ainda pesquisando sobre a possibilidade de ser au pair, eu sempre me perguntava como era a rotina de uma au pair, mas nunca consegui achar nada sobre isso, então resolvi escrever este post para quem também está curioso.

Claro que a rotina de uma au pair vai variar muito de família para família e mesmo de país para país. Aqui, tive duas experiências diferentes.

Fiz um resuminho de uma semana normal (nas quartas o horário é diferente).


Agora imagina você ter que cozinhar enquanto dá banho nas kids. Naquela casa eu tinha que fazer tudo ao mesmo tempo, eu estava sempre correndo.

Na primeira família eu ainda era responsável por trocar as roupas de cama das kids, lavar as roupas e aos sábados passar (se acumulasse muito, claro que eu nunca deixava acumular, lavava tudo no começo da semana para a moça da limpeza passar), tinha que fazer as mochilas da escola, do curso de natação e tennis, trocar o lixo, e as vezes fazer compras no mercado. Sem contar que de sábado era o dia inteiro.

Mas na primeira família meu salário era maior do que na segunda família. Então, futuras au pairs, se alguma família te oferecer mais dinheiro do que o normal, desconfie e pergunte sobre a sua rotina detalhadamente. As vezes não compensa receber um pouco a mais e não ter tempo para nada. (Lembre-se que não é possível enriquecer sendo au pair!).

Não sei como é nos outros países, mas aqui na Bélgica, de acordo com a lei, a au pair não deveria trabalhar mais de 20hs semanais (claro que sempre acaba passando, de quarta-feira as kids são liberadas ao meio-dia, daí já viu...), deveria receber no mínimo 450,00 euros e um seguro saúde. Dependendo, a família ainda pode pagar o transporte para a au pair ou o curso de língua.

Lembrem-se futuras au pairs, tempo livre é mais importante que dinheiro.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quando a vida fica mais interessante...

Olá minha gente! Desculpe o sumiço! É que a vida de repente ficou plena...

Sabe, o inverno é uma época realmente muito difícil por esses lados. Está sempre escuro e frio (óbvio), então dá vontade de ficar em casa s-e-m-p-r-e! Principalmente para nós, brasileiros, que estamos acostumados a querer ficar em casa, embaixo das cobertas, vendo um filminho toda vez que bate um frio e o céu fica cinza, ou vai dizer que não é verdade? Mas aqui não pode não, porque por três meses (mínimo) será assim o tempo todo! Então, 'bora pra vida!

Para aqueles que sofrem dessa depressão invernal, ficam as dicas. 

A primeira coisa que fiz aqui foi entrar numa academia (aconselho qualquer coisa que mexa o esqueleto). Melhor coisa que fiz! Me divirto um monte nas aulas de zumba e kicking, de segunda à quinta. Depois de um dia duro de trabalho, nossa, faz um bem para a alma!

Outra coisa que aconselho é sair, conhecer gente. E como conheci! Para quem vem como au pair, minha dica é entrar nas comunidades de au pair no face. Hoje conheço várias au pairs, saimos praticamente todos os finais de semana e ainda tomamos cafezinho juntas às quartas. Uma beleza! Sim, colocamos fofocas em dia e ainda podemos desabafar sobre as famílias e as kids.

Para os demais, aconselho três sites. Couchsurfing, Meet Up! e Just landed. Esses sites reúnem pessoas que querem se conhecer, formar grupos de conversação, de esportes e muitos outros. Super recomendo. Toda vez que tem alguma atividade para praticar francês eu tô lá. 

Bom, agora imaginem vocês. Entrei para a academia, fiz novas amigas, entrei para grupos de conversação, continuo trabalhando como au pair, indo na escola de francês e ainda preciso fazer lição, ler livros, pensar e planejar viagens, fora meus planos que há muito já ficaram de lado (vide o blog aqui). Agora deu para entender meu sumiço? Mas não desapareçam também não, pretendo voltar a escrever, tenho muita coisa para atualizar vocês!

segunda-feira, 18 de março de 2013

E que venha a primavera!

O frio é uma questão de ponto de vista!

Antes de vir para cá, quando eu ainda estava no Brasil só lendo blogs de outras au pairs, eu sempre via elas comentarem, felizes da vida, que estava fazendo 10ºC, e eu pensava "menina, como você tá feliz, 10ºC é frio pra caramba!". Mas agora, deste lado do oceano eu tenho que dizer, minha gente, hoje fez 8ºC (positivoooos)!!! Ah, não há nada como o calor!!!

Depois de passar quase três meses aguentando temperaturas negativas e vendo tudo ao redor branco e escorregadio, quando você finalmente vê o marcador mostrando 0ºC, acredite, você fica feliz só pelo fato de não ser negativo. Quando chega a 6ºC nossa, é uma festa, só porque está acima de 5. E quando chega em 10ºC então, dois dígitos! Já dá até para sair na rua sem casacão, na verdade uma blusinha de lã já tá bom e você ainda corre o risco de passar calor! Sem exagero!

Mas agora finalmente a primavera está chegando, e ah... não tem nada como a primavera! Depois de quase quatro meses hibernando, você fica contentíssimo de ver céu azul, flores e o sol que até ofusca... 4 meses gente, até os belgas estavam de saco cheio da neve, olha só o que estava rolando na net por esses lados. (Atualização: detalhe, só parou de nevar mesmo em abril).

Clima na Bélgica: 4/03 - 12/03 "Março, você está fazendo isso errado"
"Enquanto isso na Bélgica"
Obs: quando eu buscava as kids no inverno ligava o aquecedor do carro em 20ºC, e ficava quentinho. No verão eles reclamavam do calor, então eu ligava o ar condicionado em 20ºC e o carro ficava fresquinho!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Curiosidades da vida belga...

Reciclar. A moda verde da Europa. Na Alemanha se recicla tudo. Aqui na Bélgica a coisa é um pouco diferente. Não posso falar por todo o país, que as leis aqui são basicamente separadas entre a região da Walonia (parte que fala francês), Flandres (parte que fala flemish) e Bruxelas (capital, que apesar de fazer parte de Flandres, tem sua própria dinâmica). 

Quando eu cheguei aqui na casa eu logo aprendi que temos que separar o lixo. São quatro categorias: lixo comum (resto de comida, coisas de banheiro, limpeza), lixo bio (que vai virar adubo), papelão e plástico.

Engraçado é quando você joga um potinho de yogurte no lixo "plástico" e descobre que na verdade ele faz parte do "lixo comum". Acha que é brincadeira? Olha só, a prefeitura até distribui um folheto explicando o que eles consideram "plástico". Pote de manteiga, de maionese, de pasta de dente, saquinho plástico (desses de supermercado) não são considerados "plástico". Fala sério né? O destino é o lixo comum mesmo. Agora latas de alumínio entram para a categoria "plástico". Vai entender, né?



 Daí você descobre que se você fizer a triagem errada, como colocar o pote de yogurte no lixo reciclável, o lixeiro simplesmente deixa de recolher. Pois é! Fiquei indignada quando descobri isso. O lixeiro simplesmente deixa os sacos de lixo na rua. Bom, convenhamos que é um bom incentivo para fazer as pessoas separarem certinho (comigo funcionou!). 

Outra coisa interessante sobre o lixo aqui, é que eles têm um calendário dizendo que dias que vão recolher cada tipo de lixo. Ao invés de recolher o "papelão" toda segunda, por exemplo, eles pegam só 2x por mês. Resultado, os sacos de lixo vão acumulando nas casas (a garagem aqui tem vezes que fica impossível de entrar). Bom, pelo menos são organizados, né?


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Tram

Trams! Como prometido... (Dica: pronunciem este "M" bem forte, se não os francófonos vão pensar que vocês estão dizendo "trem" (train).

Tram na cidade de Gent
O famoso traM nada mais é do que um bonde. Um bonde moderno, claro, todo fechado porque aqui faz frio. O que acho curioso sobre o tram e a cultura européia é que as estações de tram são abertas, quer dizer, você não passa por nenhuma catraca para entrar no tram. As máquinas para colocar o bilhete ficam dentro do próprio tram e não existe nenhuma catraca dentro como os onibus no Brasil, não não, você simplesmente entra e se quiser põe o bilhete na máquina. Ou seja, se você quiser você pode andar de tram na faixa, mas o povo aqui sempre respeita, fico boba! Sempre penso "jamais no Brasil".  

Já no metro existe catraca (está mais para uma porta de vidro, como nas estações da linha amarela de Sampa), mas você pode entrar no metro usando os trams que fazem conexão, ou seja, é possível andar de  metro de graça também. Mas é arriscado! A multa está por volta de 80 euros, o bilhete sai por volta de 2. 

Confesso que já andei de metro e tram de graça (quando eu ainda não tinha a minha carteirinha mensal), e vou dizer que fiquei com o coração na mão o trajeto inteiro, sempre verificando se não entrava nenhum guardinha, até que descobri que o controle é diferente. Aqui, quando eles querem verificar se o povo pagou, ao invés de exigir o ticket dentro do metro (como fazem no trem - que aliás também dá para andar de graça e também já fiz), eles ficam aguardando as pessoas nas saídas do metro, assim não tem como escapar. (Você pode ler mais sobre essa forma de controle nesse outro post: Passagens, por favor!)

Mas como eu ia dizendo... O que eu acho mais curioso sobre o tram é que ele faz praticamente parte do trânsito da cidade. Quer dizer, em algumas locais os carros e os trams têm que partilhar a rua, mas na maioria das vezes os trams têm linhas à parte, separadas por calçadas. Mas tram tem que respeitar sinal vermelho.

O bacana de andar de tram é que você vê a cidade, já que na maior parte do trajeto eles andam na superfície. A parte ruim é que, por andarem na superfície, a velocidade é bem baixa, então se você estiver atrasado e puder escolher entre tram e metro, sem dúvida, pegue o metro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Feedback dos presentes


Como os franceses encaram presentes...

Antes de vir para a Europa, eu, na minha simpatia de brasileira, fiz questão de comprar presentes para a minha host family. Comprei presente até para a avó (pode-se ler aquiaqui, e aqui). Ainda comprei presentinhos extras que nem coloquei no blog... Se você é uma futura au pair e pensa em fazer o mesmo, pense 2x.*

Quando eu cheguei aqui na casa, na hora da janta, já logo chamei todo mundo na cozinha dizendo que eu tinha presentes. Comecei pelo presente da avó. Assim que eles recebiam, já me agradeciam, contentes, dizendo que era muito bonito e em seguida simplesmente colocavam os presentes de lado, depois, simplesmente foram jantar. Até aí tudo bem, era mesmo hora de comer... Só que ficou nisso, não teve nenhum "uau, vou por no meu quarto" ou um "bacana, como brinca com isso?"

Tá duvidando? Olha só o destino dos presentes. A ararinha de louça do host continuou na cozinha, do lado da pia, onde ele a abriu. O quadrinho da host virou enfeite de maçaneta do armário. Os das kids, bem, cada uma enfiou em um lugar e nunca mais brincou. O presente da avó? Ah...o da avó...

Ela ficou conosco aqui uma semana, enquanto eu me adaptava. No dia de sua partida falei para ela não esquecer o presente, a resposta foi simples: "não cabe na minha mala". Resultado, ficou no quarto de hóspedes (o meu quarto, servindo de enfeite para mim, a presenteadora)

Para a minha sorte (ou aprendizado) foi aniversário do host na sexta, e pude observar como eles reagem diante a um presente de um outro francês, de um membro da própria família. O que foi bom, pois o meu desapontamento diminuiu um pouquinho. 

Eles compraram um bolo, depois do jantar acederam uma velinha e cantaram o parabéns mais sem graça que já vi na história. Um mero "joyeux anniversaire", sem palmas, sem ninguém de pé e com as luzes acesas. Isso que é emoção hein? Depois do bolo vieram os presentes. Camisas da esposa e da sogra, desenhos das kids. Ele recebeu tudo com muitos agradecimentos e elogios, depois largou no canto e ficou lá por quase um mês. Pois é...

Tento não levar para o pessoal, afinal, faz parte da cultura deles, e vivenciar a cultura da host family faz parte do programa de au pair. Mas que você fica pensando como os brasileiros são muito mais simpáticos e divertidos, e fica muito grata de ter nascido numa sociedade mais alegre, ah, isso você pensa... 

Agora fico imaginando como deve ser divertido o natal por aqui!


(Desculpe a demora, promessa antiga! Este texto já estava pronto, não sei porque não postei antes)