segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Passagens, por favor!


Aqui na Bélgica, na hora de pegar o transporte público, você vai descobrir que em muitas estações não existe catraca. Isso mesmo, você pode entrar livremente, sem pagar! Grátis! Na faixa!
Mas não é porque a entrada é fácil que você não precisa pagar. Tome muito cuidado, você pode se meter numa enrascada! E será que vale mesmo economizar dois euros e arranjar um problemão depois?


Nos trens é possível entrar em qualquer um sem pagar. Mas dentro do trem existe o cobrador (controleur). É a pessoa responsável por verificar as passagens. Se um controlador pedir sua passagem, e você não tiver, você terá que comprar uma a bordo e poderá receber uma multa*.

*(a multa pode ser reconsiderada se a estação na qual você embarcou não era possível comprar passagem, como por exemplo as estações que estão em reforma. Fora estas, você receberá uma multa). 

É curioso observar que em geral, entre as estações de trem dentro de Bruxelas (por exemplo, entre as estações Bruxelas Midi,  Bruxelas Norte, Bruxelas Central, Schuman...) o cobrador não passa, então neste caso você consegue viajar de graça, mas só dentro da cidade.


Agora o transporte público urbano já é um pouco diferente. Não existe cobrador. O que acontece é que as pessoas são fiscalizadas nas estações, no susto.  

Você está viajando tranquilamente de metro, desce na sua estação, sobe as escadas e... Ops! Dá de cara com uma barreira de controladores e policiais. Não tem como você saber que eles estão lá, te esperando... Você é pego de surpresa, e se fizer meia volta ou sair correndo, é claro que eles vão sacar que você não pagou. Ou seja, não tem como escapar. 

Você será obrigado a apresentar seu bilhete, se estiver ok eles te deixam passar; se não, você terá que pagar uma multa de 80 euros. 80! (Não era melhor ter pagado os dois euros?). E eles ainda pedem seus documentos, ou seja, se você estiver ilegal por aqui, pode ser deportado e ir direto para a prisão no seu país. 

Nos ônibus, os controladores entram enquanto o ônibus está parado no ponto, e se você tenta descer, têm mais controladores e policiais do lado de fora.

Já fui fiscalizada várias vezes, em estações diferentes, em horários diferentes, e até dentro do ônibus noturno. Já vi gente pagando multa ou sendo presa. A coisa é séria!

Então tome cuidado. Pague os dois euros. Afinal o transporte é de qualidade, é abrangente, limpo e pontual. Seus dois euros estão sendo bem utilizados. Aqui não é como no Brasil, aqui seu dinheiro é bem gasto! Seja honesto.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eita, isso é que é sorte!

A verdade é que dei muita sorte com a segunda família!

Comparando a minha primeira família  com a segunda, diria que passei da água de esgoto para o vinho. Pois é, isso é que é sorte (e uma boa ajuda do anjinho da guarda!).

A família aqui é um amor, é família mesmo. Me acolheram desde o início. Quando comecei, me deram uma semana para eu me habituar (ou seja, observar). Sempre que faço algo de errado, ao invés de gritarem, eles me falam calmamente ou fazem piada (e a ficha logo cai, não é não?). Acolheram meus pais, quando eles vieram me visitar. Compraram um guia da Europa para o meu mochilão (eu não pedi não, foi ato voluntário mesmo), emprestam o note toda vez que o meu resolve pifar...

Além de serem excelentes pessoas, ainda dei sorte no quesito trabalho. Aqui trabalho 4h por dia, como manda a lei (ok ok, às vezes passa um pouco, fora os baby-sittings...). Além disso, não sou obrigada a viajar com eles, o que significa tempo livre! Eles já saíram de férias várias vezes, resultado, ganhei férias no natal, páscoa e verão. Quer coisa melhor? Pois continua. A maioria das au pairs têm que ficar com as kids durante o verão full-time, pois não é que meus hosts colocaram os filhos em acampamentos que duram a mesma quantidade de horas da escola! 
 
Claro que morar no emprego nunca é fácil. Afinal você sente que continua trabalhando, deve sempre acordar de bom humor, deixar tudo limpo e fazer ainda menos barulho do que está acostumado. Além disso, vamos ser honestos né? Também faço algumas coisas que uma au pair não deveria fazer: aspiro o carro, fico na casa quando precisam, levo o carro na oficina, entretenho visitas, e por aí vai... Mas a gente acaba topando (afinal de contas, eles são bacanas!).

Dei ou não dei sorte?!

sábado, 27 de julho de 2013

Traumas (ou desastres por falta de atenção): II

Opa, tinha me esquecido de contar o meu segundo trauma. Vish, foi tenso, depois desse, perder a chave no metro (mas recuperei, graças!), dirigir na neve e aprender a mexer no motor de carro foi tranquilo! Vamos lá...

Logo na minha segunda semana (coincidência demais) aqui na família nova (novembro). A menina (de 2 anos) ficou doente. E daí já viu né, sobra para a au pair. Passei a semana inteira dentro de casa com a kid. Das 7h às 18h (aguentei mais e pior em Saint Tropez). Claro que na sexta eu já estava super cansada, o que me levou a falta de atenção...

Naquela sexta, teria uma festa na escola do menino, e cada aluno tinha que levar um petisco. Eu, na tentativa de ser uma au pair prestativa, logo que soube da festinha me propus a fazer pão de queijo. Comprei massa pronta no mercadinho brasileiro e fiz.

Pois bem, naquela sexta era para a menina ir para a creche, pois ela já estava melhor, mas antes a host resolveu levá-la no médico. O querido do doutor mandou ela repousar mais um dia "só para ter certeza de que ela estava bem". Eu, que estava contente da vida que ia poder sair um pouco, adivinha, tive que ficar mais um dia em casa. Além disso, a menina resolveu que não queria dormir depois do almoço, por nada! Fiz de tudo, e nada. Ou seja, nem a minha folguinha de uma hora tive. 

Às 16h fui buscar o menino. Eu já estava cansada mas ainda tinha que preparar pão de queijo.

Nesta hora, não lembro bem o que se passou, mas as kids começaram a brigar e chorar e eu fui separar, e distraí-las tentando fazer desenhos. A menina me pediu água, quando entrei na cozinha, meu coração parou!

Do forno, saia uma fumaça preta. O teto estava começando a ficar nublado. Eu desliguei o forno, corri para a sala, enfiei as kids na frente da tv e voltei para a cozinha. Abri o forno e descobri que eu não tinha tirado as luvas térmicas (de pegar assadeira) de dentro do forno. Oi? Pois é gente, minha host usa o forno de armário e guarda as assadeiras, e claro, as luvas também! Na hora de ligar o forno eu tirei as assadeiras, mas não tinha visto as luvas pois estavam no fundo. 

Vocês não imaginam o estado das luvas! Uma se desfez quase inteira, como papel, simplesmente deixou de existir. A outra ficou com umas manchas bem pretas (mas inteira). Eu enfiei as duas embaixo da água, abri todas as janelas da casa (mesmo estando frio), liguei o exaustor, peguei um pano de prato e comecei a abanar a cozinha, desesperada. Bem naquele dia, meus hosts iam chegar mais cedo por causa da festa. 

Liguei para a minha amiga (au pair também) desesperada pedindo abrigo naquela noite. Eu queria me enterrar, sumir dali!

Fiquei abanando a cozinha por quase meia hora. Parei um pouquinho para dar uma olhada nas kids, e vi o carro do host estacionando. Na hora fechei todas as janelas, corri pra cozinha e meti as luvas no lixo. Meu coração a mil pensando no que eu diria para o host.

Ele entrou, subiu as escadas e... nada. Ele não mencionou uma palavrinha sobre cheiro de fumaça. Fiquei surpresa, mas ele fuma, então talvez ele nem tivesse percebido mesmo. Ele arrumou as kids e foi para a escola. 5 min. depois, novamente tensão. A host chegou, ela sim diria algo. E... nada de novo! Fiquei espantada e para lá de aliviada. 

Contei que tinha tido um pequeno acidente, dei os pães de queijo (não, eles não estavam com gosto de fumaça) e falei que dormiria na casa de uma amiga. Ufa! Foi bom sumir dali naquele fim de semana. Mas depois tive que comprar uma luva nova e fiquei "sob observação". Agora não saio de casa antes de conferir o forno e o fogão.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Se apaixonando no exterior...

Não sei porque temos essa ideia de que se apaixonar no exterior é romântico. Sei que muitas mulheres quando viajam para o exterior tem esse sonho secreto de se apaixonar. Acho que é a influência de filmes e novelas... Mas a verdade é que, por mais romântico que possa parecer, é, e sempre será, triste. 

Quem já viu o filme "O Amor Não Tira Férias"? (Holiday). A típica comédia romântica bobinha que encanta as mulheres. Resumindo, duas mulheres, sim, como se não bastasse uma historinha de amor, enfiaram duas! Duas mulheres trocam de casas, mudam de país para umas simples férias de Natal, e se apaixonam. Claro que no filme tudo termina bem, numa linda noite de festa de ano novo. Mas o que acontece depois??? Não espere encontrar a resposta no filme. 

O que acontece depois, você quer saber? Vou contar...

Primeiro você decide fazer uma viagem ao exterior e está simplesmente se divertindo, conhecendo um monte de gente nova. Daí você conhece alguém interessante que quer sair com você. Vocês saem e se divertem e decidem continuar se vendo,  "não é nada sério" você vai dizer, "estou só me divertindo". Só que o tempo passa, e a companhia um do outro agrada, e vocês vão se conhecendo melhor, se gostando, se amando.... E bah! Chega a hora de ir embora, voltar para a realidade. Se o amor entre vocês for grande, duas coisas podem acontecer:

1. (a cena mais romântica desejada por muitas). Você decide mudar de país e morar com ele para sempre, casar e ter filhos.

2. Você gosta demais do seu país, não pode deixá-lo e decide voltar (se tiver sorte ele pode ir com você). 

Não importa qual das duas opções você vai escolher. A verdade é que você nunca se sentirá completo. Se você muda de país, acredite, seu país vai fazer falta. E nem me refiro à família e amigos que estes você pode visitar ou falar por skype. Não, me refiro a sua cultura, sua identidade, sua percepção de pertencer a um lugar. Acredite, não ter com quem comentar sobre algo da sua infância ou de uma novela, não ter com quem fazer piada sobre algo que só nós brasileiros entenderíamos, não poder...ah, são tantas coisas que será impossível listar tudo! Acredite, sua cultura é o que mais te fará falta no exterior. 

E se você decide voltar, e deixar esse grande amor como uma bela lembrança, você sempre vai ficar se perguntando "e se eu tivesse ficado", você vai sempre sentir falta... Você terá sua identidade, sua família, amigos, mas não o seu amor, terá que conhecer outro...

A verdade é que, não importa o que você vai escolher, você só poderá ter 50%. E isso é triste demais. Então, se você não está preparado para fazer uma escolha dessa magnitude, nem tente conhecer alguém no exterior. Se divirta, seja feliz e volte para casa!

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Rotina de uma au pair

Quando eu estava no Brasil, ainda pesquisando sobre a possibilidade de ser au pair, eu sempre me perguntava como era a rotina de uma au pair, mas nunca consegui achar nada sobre isso, então resolvi escrever este post para quem também está curioso.

Claro que a rotina de uma au pair vai variar muito de família para família e mesmo de país para país. Aqui, tive duas experiências diferentes.

Fiz um resuminho de uma semana normal (nas quartas o horário é diferente).


Agora imagina você ter que cozinhar enquanto dá banho nas kids. Naquela casa eu tinha que fazer tudo ao mesmo tempo, eu estava sempre correndo.

Na primeira família eu ainda era responsável por trocar as roupas de cama das kids, lavar as roupas e aos sábados passar (se acumulasse muito, claro que eu nunca deixava acumular, lavava tudo no começo da semana para a moça da limpeza passar), tinha que fazer as mochilas da escola, do curso de natação e tennis, trocar o lixo, e as vezes fazer compras no mercado. Sem contar que de sábado era o dia inteiro.

Mas na primeira família meu salário era maior do que na segunda família. Então, futuras au pairs, se alguma família te oferecer mais dinheiro do que o normal, desconfie e pergunte sobre a sua rotina detalhadamente. As vezes não compensa receber um pouco a mais e não ter tempo para nada. (Lembre-se que não é possível enriquecer sendo au pair!).

Não sei como é nos outros países, mas aqui na Bélgica, de acordo com a lei, a au pair não deveria trabalhar mais de 20hs semanais (claro que sempre acaba passando, de quarta-feira as kids são liberadas ao meio-dia, daí já viu...), deveria receber no mínimo 450,00 euros e um seguro saúde. Dependendo, a família ainda pode pagar o transporte para a au pair ou o curso de língua.

Lembrem-se futuras au pairs, tempo livre é mais importante que dinheiro.

terça-feira, 16 de abril de 2013

Quando a vida fica mais interessante...

Olá minha gente! Desculpe o sumiço! É que a vida de repente ficou plena...

Sabe, o inverno é uma época realmente muito difícil por esses lados. Está sempre escuro e frio (óbvio), então dá vontade de ficar em casa s-e-m-p-r-e! Principalmente para nós, brasileiros, que estamos acostumados a querer ficar em casa, embaixo das cobertas, vendo um filminho toda vez que bate um frio e o céu fica cinza, ou vai dizer que não é verdade? Mas aqui não pode não, porque por três meses (mínimo) será assim o tempo todo! Então, 'bora pra vida!

Para aqueles que sofrem dessa depressão invernal, ficam as dicas. 

A primeira coisa que fiz aqui foi entrar numa academia (aconselho qualquer coisa que mexa o esqueleto). Melhor coisa que fiz! Me divirto um monte nas aulas de zumba e kicking, de segunda à quinta. Depois de um dia duro de trabalho, nossa, faz um bem para a alma!

Outra coisa que aconselho é sair, conhecer gente. E como conheci! Para quem vem como au pair, minha dica é entrar nas comunidades de au pair no face. Hoje conheço várias au pairs, saimos praticamente todos os finais de semana e ainda tomamos cafezinho juntas às quartas. Uma beleza! Sim, colocamos fofocas em dia e ainda podemos desabafar sobre as famílias e as kids.

Para os demais, aconselho três sites. Couchsurfing, Meet Up! e Just landed. Esses sites reúnem pessoas que querem se conhecer, formar grupos de conversação, de esportes e muitos outros. Super recomendo. Toda vez que tem alguma atividade para praticar francês eu tô lá. 

Bom, agora imaginem vocês. Entrei para a academia, fiz novas amigas, entrei para grupos de conversação, continuo trabalhando como au pair, indo na escola de francês e ainda preciso fazer lição, ler livros, pensar e planejar viagens, fora meus planos que há muito já ficaram de lado (vide o blog aqui). Agora deu para entender meu sumiço? Mas não desapareçam também não, pretendo voltar a escrever, tenho muita coisa para atualizar vocês!

segunda-feira, 18 de março de 2013

E que venha a primavera!

O frio é uma questão de ponto de vista!

Antes de vir para cá, quando eu ainda estava no Brasil só lendo blogs de outras au pairs, eu sempre via elas comentarem, felizes da vida, que estava fazendo 10ºC, e eu pensava "menina, como você tá feliz, 10ºC é frio pra caramba!". Mas agora, deste lado do oceano eu tenho que dizer, minha gente, hoje fez 8ºC (positivoooos)!!! Ah, não há nada como o calor!!!

Depois de passar quase três meses aguentando temperaturas negativas e vendo tudo ao redor branco e escorregadio, quando você finalmente vê o marcador mostrando 0ºC, acredite, você fica feliz só pelo fato de não ser negativo. Quando chega a 6ºC nossa, é uma festa, só porque está acima de 5. E quando chega em 10ºC então, dois dígitos! Já dá até para sair na rua sem casacão, na verdade uma blusinha de lã já tá bom e você ainda corre o risco de passar calor! Sem exagero!

Mas agora finalmente a primavera está chegando, e ah... não tem nada como a primavera! Depois de quase quatro meses hibernando, você fica contentíssimo de ver céu azul, flores e o sol que até ofusca... 4 meses gente, até os belgas estavam de saco cheio da neve, olha só o que estava rolando na net por esses lados. (Atualização: detalhe, só parou de nevar mesmo em abril).

Clima na Bélgica: 4/03 - 12/03 "Março, você está fazendo isso errado"
"Enquanto isso na Bélgica"
Obs: quando eu buscava as kids no inverno ligava o aquecedor do carro em 20ºC, e ficava quentinho. No verão eles reclamavam do calor, então eu ligava o ar condicionado em 20ºC e o carro ficava fresquinho!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Curiosidades da vida belga...

Reciclar. A moda verde da Europa. Na Alemanha se recicla tudo. Aqui na Bélgica a coisa é um pouco diferente. Não posso falar por todo o país, que as leis aqui são basicamente separadas entre a região da Walonia (parte que fala francês), Flandres (parte que fala flemish) e Bruxelas (capital, que apesar de fazer parte de Flandres, tem sua própria dinâmica). 

Quando eu cheguei aqui na casa eu logo aprendi que temos que separar o lixo. São quatro categorias: lixo comum (resto de comida, coisas de banheiro, limpeza), lixo bio (que vai virar adubo), papelão e plástico.

Engraçado é quando você joga um potinho de yogurte no lixo "plástico" e descobre que na verdade ele faz parte do "lixo comum". Acha que é brincadeira? Olha só, a prefeitura até distribui um folheto explicando o que eles consideram "plástico". Pote de manteiga, de maionese, de pasta de dente, saquinho plástico (desses de supermercado) não são considerados "plástico". Fala sério né? O destino é o lixo comum mesmo. Agora latas de alumínio entram para a categoria "plástico". Vai entender, né?



 Daí você descobre que se você fizer a triagem errada, como colocar o pote de yogurte no lixo reciclável, o lixeiro simplesmente deixa de recolher. Pois é! Fiquei indignada quando descobri isso. O lixeiro simplesmente deixa os sacos de lixo na rua. Bom, convenhamos que é um bom incentivo para fazer as pessoas separarem certinho (comigo funcionou!). 

Outra coisa interessante sobre o lixo aqui, é que eles têm um calendário dizendo que dias que vão recolher cada tipo de lixo. Ao invés de recolher o "papelão" toda segunda, por exemplo, eles pegam só 2x por mês. Resultado, os sacos de lixo vão acumulando nas casas (a garagem aqui tem vezes que fica impossível de entrar). Bom, pelo menos são organizados, né?


sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Tram

Trams! Como prometido... (Dica: pronunciem este "M" bem forte, se não os francófonos vão pensar que vocês estão dizendo "trem" (train).

Tram na cidade de Gent
O famoso traM nada mais é do que um bonde. Um bonde moderno, claro, todo fechado porque aqui faz frio. O que acho curioso sobre o tram e a cultura européia é que as estações de tram são abertas, quer dizer, você não passa por nenhuma catraca para entrar no tram. As máquinas para colocar o bilhete ficam dentro do próprio tram e não existe nenhuma catraca dentro como os onibus no Brasil, não não, você simplesmente entra e se quiser põe o bilhete na máquina. Ou seja, se você quiser você pode andar de tram na faixa, mas o povo aqui sempre respeita, fico boba! Sempre penso "jamais no Brasil".  

Já no metro existe catraca (está mais para uma porta de vidro, como nas estações da linha amarela de Sampa), mas você pode entrar no metro usando os trams que fazem conexão, ou seja, é possível andar de  metro de graça também. Mas é arriscado! A multa está por volta de 80 euros, o bilhete sai por volta de 2. 

Confesso que já andei de metro e tram de graça (quando eu ainda não tinha a minha carteirinha mensal), e vou dizer que fiquei com o coração na mão o trajeto inteiro, sempre verificando se não entrava nenhum guardinha, até que descobri que o controle é diferente. Aqui, quando eles querem verificar se o povo pagou, ao invés de exigir o ticket dentro do metro (como fazem no trem - que aliás também dá para andar de graça e também já fiz), eles ficam aguardando as pessoas nas saídas do metro, assim não tem como escapar. (Você pode ler mais sobre essa forma de controle nesse outro post: Passagens, por favor!)

Mas como eu ia dizendo... O que eu acho mais curioso sobre o tram é que ele faz praticamente parte do trânsito da cidade. Quer dizer, em algumas locais os carros e os trams têm que partilhar a rua, mas na maioria das vezes os trams têm linhas à parte, separadas por calçadas. Mas tram tem que respeitar sinal vermelho.

O bacana de andar de tram é que você vê a cidade, já que na maior parte do trajeto eles andam na superfície. A parte ruim é que, por andarem na superfície, a velocidade é bem baixa, então se você estiver atrasado e puder escolher entre tram e metro, sem dúvida, pegue o metro.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

sábado, 19 de janeiro de 2013

Feedback dos presentes


Como os franceses encaram presentes...

Antes de vir para a Europa, eu, na minha simpatia de brasileira, fiz questão de comprar presentes para a minha host family. Comprei presente até para a avó (pode-se ler aquiaqui, e aqui). Ainda comprei presentinhos extras que nem coloquei no blog... Se você é uma futura au pair e pensa em fazer o mesmo, pense 2x.*

Quando eu cheguei aqui na casa, na hora da janta, já logo chamei todo mundo na cozinha dizendo que eu tinha presentes. Comecei pelo presente da avó. Assim que eles recebiam, já me agradeciam, contentes, dizendo que era muito bonito e em seguida simplesmente colocavam os presentes de lado, depois, simplesmente foram jantar. Até aí tudo bem, era mesmo hora de comer... Só que ficou nisso, não teve nenhum "uau, vou por no meu quarto" ou um "bacana, como brinca com isso?"

Tá duvidando? Olha só o destino dos presentes. A ararinha de louça do host continuou na cozinha, do lado da pia, onde ele a abriu. O quadrinho da host virou enfeite de maçaneta do armário. Os das kids, bem, cada uma enfiou em um lugar e nunca mais brincou. O presente da avó? Ah...o da avó...

Ela ficou conosco aqui uma semana, enquanto eu me adaptava. No dia de sua partida falei para ela não esquecer o presente, a resposta foi simples: "não cabe na minha mala". Resultado, ficou no quarto de hóspedes (o meu quarto, servindo de enfeite para mim, a presenteadora)

Para a minha sorte (ou aprendizado) foi aniversário do host na sexta, e pude observar como eles reagem diante a um presente de um outro francês, de um membro da própria família. O que foi bom, pois o meu desapontamento diminuiu um pouquinho. 

Eles compraram um bolo, depois do jantar acederam uma velinha e cantaram o parabéns mais sem graça que já vi na história. Um mero "joyeux anniversaire", sem palmas, sem ninguém de pé e com as luzes acesas. Isso que é emoção hein? Depois do bolo vieram os presentes. Camisas da esposa e da sogra, desenhos das kids. Ele recebeu tudo com muitos agradecimentos e elogios, depois largou no canto e ficou lá por quase um mês. Pois é...

Tento não levar para o pessoal, afinal, faz parte da cultura deles, e vivenciar a cultura da host family faz parte do programa de au pair. Mas que você fica pensando como os brasileiros são muito mais simpáticos e divertidos, e fica muito grata de ter nascido numa sociedade mais alegre, ah, isso você pensa... 

Agora fico imaginando como deve ser divertido o natal por aqui!


(Desculpe a demora, promessa antiga! Este texto já estava pronto, não sei porque não postei antes)

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Inverno

 Bélgica, ô terrinha gelada! 



Antes de vir para cá, eu fiz muitas pesquisas sobre esse país, uma delas foi sobre o inverno, claro. Li em muitos lugares e ouvi muitas pessoas me contando, que aqui não costuma nevar muito, que o povo não está preparado para a neve, etc, etc... Fiquei um pouco desapontada, devo dizer, mas também achei esquisito, afinal a Bélgica fica do lado da Alemanha, praticamente na mesma altura da Inglaterra, e neva nesses países. Não faz sentido!

Acho que como muitos brasileiros, eu cometia o erro de achar que nevasse em toda Europa, mas fiquei bem surpresa ao descobrir que é meio raro nevar em Paris por exemplo, que a Espanha (por esses lados) é conhecida como a terra do sol, onde se acham as melhor frutas.

Entrevistando belgas, descobri que ano passado só nevou duas vezes aqui na capital. Eles me disseram também que normalmente neva bastante na região sudeste (ou seja, perto da Alemanha e de Luxemburgo), que lá tem vezes que chega a um metro de neve. E que quanto mais perto do mar e da Holanda menos neve você verá. Algumas pessoas mais velhas também me contaram que no tempo delas (lá pros anos 50, 60) sempre nevava, e muitas vezes chegava a um metro de altura (acho que o aquecimento global está mesmo modificando o clima), e que é normal as temperaturas chegarem a -15ºC.

O fato é que ainda me restam dois meses de inverno. O primeiro mês nevou duas vezes e depois as temperaturas subiram para 10ºC (gente, isso é quente viu...). Mas agora, nessa semana, a coisa ficou feia, os termômetros baixaram para -8C. E -8 é muuuuito frio, pelo menos está tudo branquinho lá fora. 


Mas deixa eu dizer uma coisa para vocês, -8 é muuuito frio. Imagine que a 10ºC você sai de boa na rua com um casaquinho de lã e uma jaqueta, a 0ºC você já precisa usar casaco de neve, cachecol e sapatos quentinhos. Agora a -8ºC é impossível sair sem luva, sem palmilha e meia calça térmica, sem gorro ou faixa para a orelha. Uma vez eu sai para tirar fotos sem a minha luva e a minha mão começou a ficar vermelha, dura, eu mal conseguia dobrar meus dedos. Chega a um ponto em que você não os sente mais, como se estivessem anestesiados, naquele dia não teve jeito, tive que tomar um chocolate quente. 

Minha obra-prima

Vista do meu quarto


Parque perto de casa

caminho para o metro

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Minha rotina

Neste post vou contar para vocês um pouco da minha rotina. Antes de ser au pair, eu ficava fuçando vários blogs de au pairs para tentar descobrir como era a rotina delas, mas nunca achei nada muito relevante. Então achei uma boa compartilhar. (Lembrando que cada família, em cada país, tem uma rotina diferente).

Acordo todos os dias às 7h. Às 7h30 meu trabalho já começa, preciso ajudar as kids no café da manhã e preparar a lancheira do menino. Entre 8h e 8h20 eu levo o menino na escola (de carro). Chego em casa às 8h45 para deixar o carro e sair correndo pro meu curso de francês, que começa as 9h e eu sempre chego uns 15 min. atrasada (fazer o que, levo 30min de metro + tram). 

Meu curso acaba à 13h, volto correndo para casa, chego 13h30 e tenho uma hora de almoço. Às 14h30 preparo a janta das kids, e saio de casa para buscá-las às 15h. (A aula do menino só acaba às 15h30, eu saio com antecedência porque senão não encontro vaga). Levo mais ou menos uma hora e meia para buscá-los, então chegamos em casa só as 16h30. 

Com as kids em casa começa o drama, preciso ser rápida e criativa para distrai-los, isso porque normalmente eles choram para sair do carro, choram para tirar o sapato, e ficam nesse chororo até jantarem, ou seja, lá pras 17h eles já estão comendo. Daí fico distraindo eles até mais ou menos às 18h - 18h30 que é quando a minha host chega e assume o posto.

Dai estou livre, quero dizer, ainda preciso estudar a matéria do dia, arrumar o meu quarto e banheiro, lavar roupa (as minhas), e coisinhas assim, então normalmente só fico livre mesmo a partir de umas 20h. Voilà, esta é a minha rotina como au pair.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Quer dirigir na Bélgica? Atenção!

Se você está pensando em vir para a Europa e quer dirigir, se prepare! Por que? Vamos lá...

A primeira coisa que você deve saber é que carro nunca tem prioridade, nunca. Ok ok, não posso falar da Europa toda. Mas aqui na Bélgica é assim: a prioridade é sempre do pedestre. A regra é: se o pedestre surge do nada e quer atravessar, você deve parar, estando ele na faixa ou não (e se você não parar, eles te xingam). Ok ok, se ele não estiver na faixa não é a sua obrigação parar, mas quem é que não para?

Em seguida, é o ciclista que tem prioridade. Aqui em Bruxelas, ciclovia é uma coisa nova (existe faz pouco mais de um ano), então nem todas as ruas têm ciclovias ainda. Ou seja, você pode topar com uma bicicleta no meio da rua a 0km por hora, adivinha, você terá que respirar fundo e andar a 0km por hora também, até conseguir ultrapassar.

Depois vêm onibus e tram. Sempre, sempre os deixe passar, ou é multa na certa.

Existe uma certa regra quando se vai dirigir que nós, brasileiros, tendemos a esquecer, aliás, acho que a maioria dos motoristas brasileiros nem sabem que ela existe: a preferência é sempre de quem vem da direita. Confesso que ainda não me acostumei com esse pequeno detalhe e vivo sendo xingada. Mas gente, qual é, estou numa rua de mão dupla, surge um carro à direita de uma ruazinha estreita e quer entrar na minha frente? Ah, tenha paciência né, a minha rua que é a principal, ele que espere! 

Mas para vocês terem uma noção de como a preferência para quem vem da direita é rigorosa, eles criaram uma placa (esta ao lado) que nunca tinha visto no Brasil. O triângulo quer dizer preferência, a seta larga indica a rua principal, e o rabicho no meio da seta indica que a rua que vem a seguir é de menor importância, então que neste caso, exclusivamente, pode-se seguir em frente sem parar para o chato à direita entrar.

À parte tudo isso, outra coisa que deixa a desejar na hora de dirigir é a velocidade. Aqui em Bruxelas, a velocidade máxima para andar na cidade é de 50km por hora. Isso mesmo, 50! (Imagina, eu não ando a 50km/h nem nas ruazinhas de São Paulo, me dá sono dirigir aqui!). Claro que em algumas avenidas você pode chegar a 70km/h, que são aquelas maiores, equivalentes às marginais, mas elas nunca fazem parte do meu caminho (obviamente)...

Saiu de carro, vai ter que estacionar.



Novamente, não sei como é no resto da Europa, mas aqui os belgas não sabem estacionar não. Morro de rir de ver o povo sofrendo para parar o carro. Eles sempre ocupam duas vagas (custa colocar o carro um pouco mais para frente?)! E baliza então... Esquece, isso não existe. Ninguém faz baliza, ninguém! Perguntei para algumas pessoas aqui, e elas me responderam que preferem procurar vagas mais longe. Mas quando não tem jeito, ao invés de fazer baliza, eles simplesmente entram na vaga de frente e sobem na calçada mesmo, pois é, inacreditável!


Agora imaginem só na Inglaterra, onde além dessas frescuras todas, o povo ainda tem que dirigir na mão contrária...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

What I know about Brazilians...

Desculpe minha gente, mas não resisti. Preciso publicar um texto que não é meu. É um texto genial, excelente, me acabei de rir com ele. Um gringo (desconfio que alemão) que está morando no Brasil e destacou 100 coisas que ele reparou sobre os brasileiros. Vale a pena a leitura!

 É só clicar aqui .Blog do Manuel Schneider.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Vídeo

Hoje o post não é sobre mim, hoje é sobre ser au pair, e vai ficar por conta da Juliane.

A Juliane é au pair nos EUA, na Califórnia, e ela fez um vídeo muito engraçado (e verdadeiro) contanto um pouco sobre como é ser au pair. É só clicar aqui para assistir. Confesso que depois de ter assistido, fiquei com vontade de fazer uns também, quem sabe...



terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Patinando


Hoje fui à Praça Sainte Catherine (perto do Grand Place), onde montaram um mercado de natal, foto acima (foto do mercado do ano passado). É comum aqui na Europa esses mercados de natal, montam em diversas cidades, sendo que os mercados alemães são os mais famosos. Nas barraquinhas pode-se encontrar de tudo, mas o que mais se vende mesmo é comida e vinho quente.

Aproveitei o tempo maravilhoso para patinar. Aqui em Bruxelas (e acredito que na Bélgica toda) o clima não é dos melhores, dizem que é igual a Londres. Aqui sempre chove, é raro ver o céu sem nenhuma nuvenzinha, então temos que aproveitar os dias ensolarados e secos como o de hoje.

Reparei que no outono, quando ainda não estava tão frio, em um dia fazia sol, no outro chuva, alternando religiosamente. Agora que as folhas já cairam e a neve chegou, reparei que são raros os dias em que o sol aparece. Mas sobre o clima falarei mais tarde... Por enquanto, aproveitem para dar uma espiadinha nas minhas peripécias sobre o gelo (e quase um tombo, desta vez cai pouco, só 3x, da outra vez foram 7). 



segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A gota d'água

(Continuando... desculpe o post longo)

Essa história já está ficando chata né? Eu sei que no geral as pessoas não gostam de ler coisas ruins, eu só resolvi contar tudo para as futuras au pairs saberem que nem tudo são flores, já que a maioria dos blogs de au pairs só relata a vida boa: as viagens, saídas e amizades. Eu acho importante relatar tudo, tanto bom quanto ruim porque assim as pessoas podem tomar decisões mais sábias. Então vamos continuar que eu não aguento mais essa história, quero logo contar sobre essa família nova maravilhosa!

Minha vida lá na família francesa não melhorou muito. Toda semana, religiosamente, eu ouvia uma bronca. Com as kids, a coisa era outra. Eu já estava pegando o jeito, aprendendo suas manias e palavras proibidas, como driblar choros e fazê-las me obedecer. 

Até que eu não achava a vida lá ruim não (exceto aos sábados que eu tinha que trabalhar 12h seguidas sem intervalo). A gota d'água foi a viagem à Saint Tropez.

Saint Tropez, ah, Saint Tropez! Um dos lugares mais chiques para passar férias na Europa, pena que fui a trabalho. Não posso negar, é realmente bonita. A água do mar é cristalina, areia clara e as casinhas antigas dão um clima super bacana. Mas não pude aproveitar nada disso.

Passamos duas semanas de férias. Para que não fique nenhum mal entendido em relação a minha situação, vou adotar aspas para a palavra "férias". Que fique claro que era férias para a família, dobro de trabalho para mim.



Na primeira semana, duas amiguinhas das meninas ficaram na casa (uma de 9 e outra de 11 anos). Ou seja, tinha que dar conta de 5 (nas horas das brincadeiras, porque na hora do banho e refeições era com a mãe delas). Meu expediente ia do momento em que o menino acordava (por volta das 8h30) até a hora que ele ia dormir (o que variava entre 21h até 1h da manhã, quando eu tinha que dar uns pitos neles, ajudá-lo a ir ao banheiro ou fazer uns sanduíches noturnos). Ou seja, no geral eu trabalhava todos os dias 12h direto, sem intervalo! (Em um próximo post, vou escrever mais sobre a rotina de uma au pair).

Finalmente domingo chegou, dia de folga, perguntei para os meus hosts se eles poderiam me deixar na cidade para eu passear um pouco (a casa em que estavamos ficava no meio da estrada). A reação que se seguiu foi inesperada.

Meus hosts me falaram que eu não tinha "dia de folga" quando eles saiam de férias. Que as "férias" eram deles, e que portanto eu teria que trabalhar todos os dias. Ela ainda disse: "estamos te pagando a mais, então é para trabalhar a mais. Além disso, estamos no meio do mato, não em Bruxelas, aqui não tem onibus, metro ou tram não, como que você quer ir e voltar do centro? E vai fazer o que lá sozinha?"

Tentei negociar e eles concordaram em me dar um dia a mais de folga quando voltassemos para Bruxelas.  No final da segunda semana, eu já estava contando os segundos, cansada demais.


Ultimate Fight! De volta à Bruxelas.
Jantamos, desfiz as malas, coloquei as roupas para lavar, finalmente a vida estava voltando ao normal...

Na mesma noite, como o mês já tinha virado, fui pedir para a minha host o meu salário e o dinheiro extra  (pelas horas extras que fiz na viagem). A baiana rodou legal nessa hora! (eu não podia tocar na palavra "dinheiro" com a host, assim como não podia tocar na palavra "dormir" com o menino que ele fazia um escândalo).

Quando eu pedi o dinheiro extra, a host respondeu "mas a gente não paga extra para au pair". Opa! Para tudo! Como assim??? Nessa hora eu arregalei os olhos e a discussão só foi piorando. No fim eles me pagaram cem euros a mais, disseram que eu não sabia o que era ser au pair (me mandou pesquisar) e me mandaram fazer as malas pois amanhã eu estaria "dehors" (fora).

(Só para ser justa com a host, no dia seguinte ela disse que eu poderia ficar mais uma semana, para procurar uma nova família, mas eu teria que trabalhar).

Saindo da casa
No dia seguinte fiz as minhas malas e fui para a casa da Larissa (ex au pair), que me salvou! (Obrigada Larissa, não sei o que eu teria feito!). Imaginem uma garota de 50kg, andando por Bruxelas com duas malonas de 20kgs cada, subindo e descendo escada de metro, tentando pegar tram, parando pra olhar mapa e tudo debaixo de chuva. Só consegui porque estranhos me ajudaram no caminho (fico muito grata a essas pessoas). No dia seguinte, migrei para a casa da Carla (au pair aqui também). Foi outro drama para chegar até lá.

Da casa da Larissa fui andando até a estação Nord do trem, comprei minha passagem e subi para a plataforma. Subir foi fácil, tinha escada rolante. Faltando 5min para o trem chegar, escuto um aviso de que tinham mudado de plataforma, lá vou eu descer as malonas (sem escada rolante), subo do outro lado, trem errado; mudo de plataforma (desce e sobe), perco o trem. Desci para pedir informações, guichê de info fechado. Nisso já era meio-dia, fui para o Panos (uma lanchonete) comer um sanduiche, e de repente as lágrimas começaram a cair loucamente, não conseguia controlar... Nesta hora a Carla me ligou e eu não conseguia falar de tanto que soluçava, conversamos por mensagem, expliquei a situação, e de repente ela me liga dizendo que estava indo me buscar de carro. Acho que nunca fiquei tão agradecida na vida pela gentileza do host dela. Minhas mãos já estavam cheias de calos de ficar puxando malão. No carro eu só chorava...

Eles me deixaram ficar lá a semana toda, mas, naquele mesmo dia (domingo) eu tinha uma entrevista marcada com uma família alemã. Eu já estava com vontade de voltar para o Brasil, mas minha amiga me convenceu de, pelo menos, ir na entrevista. Fui, gostei da família, e eles de mim, e tive um novo rematch! Terça daquela mesma semana, ou seja, 4 dias depois de ser expulsa da casa, eu já estava trabalhando de novo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A primeira bronca a gente nunca esquece


Continuando minha história na primeira família...

Antes de embarcar para a Europa, minha host tinha combinado que pagaria a minha escola de línguas para mim, deduzindo do meu salário (deixou isso bem claro), como ela tinha feito com as au pairs anteriores, e eu não teria que me preocupar em pagar. Eu concordei, não fazia diferença para mim.

Um dia, na escola, vi os estudantes pagando eles mesmos, e também fiquei com vontade de lidar eu mesma com essa questão, afinal eu estava trabalhando para ganhar dinheiro e pagar as minhas despesas (sem contar que o curso era meu, o problema era meu, certo?). Cheguei em casa naquele dia e, antes de pegar as kids na escola, fui falar com a minha host.

"Oi host, tudo bem? Escuta, eu gostaria de te pedir uma coisa. Eu gostaria de eu mesma pagar a minha escola. Então ao invés..."

Eu não cheguei a terminar a frase, e ela já começou a berrar comigo. Berrava pior do que com os próprios filhos. Arregalava os olhos e apontava o dedo.

Eu fiquei chocada com a reação exagerada dela. Foram bem uns 15 minutos sem parar. E claro que, neste momento, todo o meu francês foi embora. Eu simplesmente não conseguia formar frases. Na primeira palavra que tentava pronunciar, ela elevava o tom de voz. Respirei fundo e comecei a falar em inglês mesmo.

Expliquei que era apenas uma questão de aprender a me virar, de administrar o meu dinheiro, que queria fazer isso por mim, não tinha nada a ver com ela. 

Depois de mais uns dez minutos de gritaria (dessa vez em inglês), ela concordou que eu tinha direito a me virar sozinha se eu assim quisesse, e concordou em me dar o salário integral. 

Fiquei chocada com a reação, principalmente porque mal tinha uma semana que eu tinha chegado. Ela não tentou sentar e conversar, ela não me pediu para explicar meus motivos, nada, simplesmente começou a gritar. Mal sabia eu que a gritaria seria uma prática semanal, cada vez um motivo diferente, claro.

Na última bronca, a pior, eu já estava craque, e soube administrar com a maior classe! (Demonstrando calma e paciência, sem alterar o tom de voz; o que só a irritou ainda mais).

Eu, que já não estava me sentindo muito confiante na família depois daquele email (pode-se ler aqui), passei a ter antipatia pela minha host. Depois, com outras broncas, percebi que ela tampouco estava interessada em saber sobre a minha vida, minha família (foi a segunda bronca), pois ela logo me cortava. E assim percebi que tampouco daria para me aproximar dela, que não era amiga dela, que eu estava ali a trabalho, era uma funcionária. Desde então me fechei ainda mais. E a situação só piorava...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Traumas (ou desastres por falta de atenção): I

Estou criando um padrão aqui na Europa realmente preocupante. Toda vez que chego numa nova família (ainda bem que só foram duas família e espero nunca mais precisar trocar) faço alguma besteira relativamente grave, por pura falta de atenção.

Primeira casa, primeiro acidente:
Uma noite meus hosts sairam para jantar e fiquei de babysitter. As kids já estavam dormindo, então resolvi aproveitar o tempo para lavar roupa. Infelizmente, uma das peças era uma calça jeans nova. Eu, como era novata nessa área, achei que calça jeans contava como peça de roupa colorida e enfiei tudo na máquina de lavar e secar. 

A máquina de secar ia demorar muito tempo e meus hosts podiam chegar a qualquer momento, então resolvi tirar as roupas antes da hora, ou seja, ainda estava úmidas. Subi para o meu quarto e taquei tudo em cima da cama para dobrar depois. Foi quando notei que minhas roupas estavam azul clarinho. Fiquei aborrecido, e quando tirei tudo da cama, fiquei apavorada!

A colcha chique e branca estava azul! Na hora bateu desespero e raiva. Corri para a internet e descobri que a colcha custava mais caro que o meu salário. Ai é que o desespero aumentou!  Pedi socorro, aos prantos, para a minha mãe (e tem pessoa melhor para nos socorrer nessas horas? mãe sabe de tudo!). E nesta hora os hosts chegaram.

Minha mãe mandou eu colocar a colcha embaixo d'água quente e esfregar com um sabonete claro, antes que a mancha secasse. Como eu não queria que meus hosts vissem, tive que esperá-los irem dormir, e claro que nesse tempo a mancha secou. E meu desespero só aumentando...

Assim que eles apagaram a luz do quarto, corri para o banheiro, meti a colcha na banheira e liguei o chuveirinho na água mais pelando possível. Esfreguei a maldita colcha por quase uma hora sem parar (metade da colcha estava azul), com lágrimas de raiva escorrendo. Até que eu percebi que a mancha estava saindo, magicamente (com muito muque) ia sumindo. Que alívio!

Depois de branquinha, coloquei na maquina de secar e voilà, ficou como se nada tivesse acontecido. Quer dizer, nada na colcha e uma lição a mais para mim!

Desta vez deu tudo certo, meu próximo trauma que seria muito mais... traumatizante (e perigoso).